Publicado por: Alba Bloechliger | 05/09/2009

A ILUSÃO DO CONHECIMENTO

Não há nada que mais certamente bloqueará o novo conhecimento do que a cabeça-fechada de um homem que acha que já tem todas as informações necessárias. É difícil dar novos fatos a uma pessoa se ela está imutavelmente satisfeita de que o seu conhecimento atual é suficiente. Já que as pessoas “oniscientes” são maus alunos, a atitude de “eu sei tudo” fará com que a pessoa nunca saiba muito a respeito de nada. Em relação a assuntos espirituais, Paulo escreveu, “Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber” (1 Coríntios 8:2). E ele descreveu alguns desta maneira: “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos!” (Romanos 1:22). Quanto mais sábios nos achamos, mais tolos somos de verdade, e a nossa tolice provavelmente é aparente a todos menos a nós mesmos! 

Na literatura de sabedoria no Velho Testamento, uma das grandes diferenças entre a sabedoria e a tolice é que pode-se ensinar a pessoa sábia, e não o tolo. Não importa o quanto ele pense que saiba, o indivíduo sábio tem a humildade de ser corrigido, de aprender e de melhorar a exatidão de sua compreensão. O tolo, por outro lado, nunca vai além das limitações do seu pensamento atual porque ele pensa que já está certo sobre tudo: “O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos” (Provérbios 12:15). “O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar o seu interior” (Provérbios 18:2).

Estas verdades no Velho Testamento são consistentes com aquilo que é ensinado no Novo Testamento a respeito da necessidade de estarmos mais preparados a ouvir do que a falar: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tiago 1:19). Aprendemos muito menos do que poderíamos porque as nossas bocas estão em movimento quando os nossos ouvidos deveriam estar funcionando. Em um período de tempo muito grande, o nosso aparelho de comunicação está transmitindo quando deveria estar recebendo. 

O que é necessária geralmente na vida, e principalmente em assuntos espirituais, é a humildade de reconhecer quanto nós fazemos pouco. Nós precisamos guardar contra a “ilusão” do conhecimento – a impressão falsa de que sabemos muito quando na verdade sabemos pouco. Precisamos suspeitar de qualquer das nossas idéias, pois pode estar errada. Se não agirmos assim, jamais corrigiremos aquelas que estão.

Há, sem dúvida, um problema do lado contrário. Se a nossa noção de ter cabeça aberta nos fizer colocar um ponto de interrogação em cima de tudo que sabemos, então simplesmente trocaremos um tipo de tolice por outro. Infelizmente, os pensadores na nossa época parecem fazer exatamente isso. Nos dias em que filósofos respeitáveis podem dizer que eles não têm certeza nem da sua própria existência, o pior pecado que a pessoa pode cometer a respeito de qualquer assunto é ser “dogmática” sobre isso. As palavras “verdade” e “conhecimento” têm adquirido pequenas aspas condescendentes, e nos dizem que podemos acreditar em qualquer coisa que quisermos enquanto não temos certeza de nada. 

Certamente, seria perigoso ceder a esta especulação sobre o conhecimento no geral. Mas seria igualmente perigoso se jamais reavaliasse qualquer noção só por tê-la aceitada como verdade. Há horas para reconsiderar honestamente aquilo que nós temos acreditado e há horas para nos mantermos firmes naquilo que é certamente verdade. O senso comum geralmente pode diferenciar entre eles.

Paulo escreveu: “Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio” (1 Coríntios 3:18). O verdadeiro conhecimento e sabedoria sempre são acompanhados por humildade. É a pessoa que está disposta a aprender que aprenderá. Admitir que alguém seja desinformado a respeito de muitas coisas é um passo doloroso que destrói orgulho, porém é um que deve ser tomado a praticamente cada esquina na estrada para o verdadeiro conhecimento.

–por Gary Henry


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